Vamos tentar lembrar todos os que dele fizeram parte, agora que 2012 ditou o fim desta competição, cheia de tradição, empenho e história, e que foi resultado de uma saga de quase 100anos.

Em tempos surgiu um blogue que pretendeu fazer a história deste futebol.Logo desistiu. Depois, um site mais ambicioso, entre outras competições, também lhe deu guarida. Mas desapareceu, e com ele toda a informação.

A um e outro, forneci os dados recolhidos durante alguns anos nos jornais da Biblioteca Municipal do Porto. Agora, vou tentar dar a estes bravos, clubes e jogadores, a importância que eles tem.

15 setembro, 2012

Como tudo começou....

Nunca este futebol popular foi outra coisa, que não o daqueles que pela sua penúria, não dispunham de campo para o jogar, tal era a sua privação.

Mas o futebol sempre foi um jogo popular, que pela sua simplicidade de regras e meios, atraiu ao longo dos tempos hordas e hordas de gente nova, ávida de o jogar. Claro que teria de haver um mínimo de organização para que as competições se realizassem, mas quem conseguia incutir esse espírito a tantos que o que queriam era jogar?

Usualmente, e nos primeiros tempos, os clubes que conseguiam filiar-se, à custa de muitos sacrifícios como a história nos conta, lá conseguiam alugar umas instalações que lhes servia de sede, e que tinham o fim de conseguir receitas para o clube, criando o hábito da convivência entre os seus. Mas as rivalidades eram por vezes profundas, entre ruas e nestas entre bairros. Se este clima ajudar à expansão doo jogo, também lhe trouxe problemas acrescidos.

O regime vigente, não via com bons olhos muitos ajuntamentos, ou melhor, ajuntamentos de muita gente, e vai daí tratou de o controlar, espartilhando. As Associações de Futebol entretanto criadas, também carentes de receita, trataram de se defender obrigando os clubes a filiar-se. Para isso tinham de elaborar estatutos, submetê-los ao Governo Civil, filiar-se na associação, e dispor de uma sede. Se quisessem entrar no futebol oficial, jogar mesmo com os seus pares filiados, tinham de apresentar um campo de jogos. A maioria tentava alugar um espaço, mas não raro a ganância dos senhorios, sugestionados por tanta gente nos campos, logo tratavam de aumentar às rendas. E muitos entregavam os pontos.
Mas a vontade de jogar não se desvanecia, e assim os clubes tentavam todas as formas para praticar p jogo de que tanto gostavam.
No Porto, e logo nos anos vinte do século XX, surgiu uma tentativa de criação de um organismo similar à AF do Porto, mas com contornos mais adaptados às disponibilidades dos clubes. Nascia assim a Liga Invicta, que organiza um campeonato em 1927.
Mas as estratégias da Associação de Futebol, passando a alugar os recintos aos clubes da Invicta, quase acaba com esta. Nesta altura, dá então o dito por não dito, e deixa de apoiar aqueles clubes populares, que ao não disporem de campo, são presa fácil para estas estratégias. Por isso que os clubes passem a alugar directamente os seus campos aqueles clubes, e jogando mesmo com eles, o que a AF proibia. Os clubes voltam a deixar a Liga, que apesar de tudo consegue reunir alguns clubes, e organiza o campeonato. Publica até um comunicado, em que chama á atenção dos clubes da província, para os mais de 50 grupelhos (sic) que existem na cidade, e que em nenhuma circunstância deviam jogar com eles. Publica até a lista dos seus filiados, que juntamente com os federados, eram a garantia de toda a confiança! Eram tempos animados. Animados e movimentados.
Mas a vida da Liga Invicta não era fácil. Os grupos que iam aparecendo, alguns sem o mínimo de futuro, levaram a algumas medidas. Uma delas, teve a ver com o facto da Liga exigir, em 1933, que os clubes que se inscrevessem na Liga, tivessem alvará. Este era passado pelo Governo Civil, e uma das cláusulas era a apresentação de uma planta de arquitectura das instalações sociais. Desta forma erradicava-se aqueles clubes que tinham “sede” (ou Sede?), nos locais mais impróprios…
Mas o nº cada vez maior de clubes populares, leva a AF a capitular estrategicamente, em 1933.
Aceita alguns vindos desta Liga, desde que se inscrevam na AF. O problema do campo é superado com os jogos a realizarem-se no “campo municipal do Porto”, ali na rua do Monte dos Burgos.
A Liga organiza o campeonato de 1934 com as equipas a quem o Governo Civil exige que tenham alvará de funcionamento, passado pela Direcção Geral de Espectáculos. A própria Liga aplaude a decisão, como forma de expurgar o “futebol amador de equipas de duvidosa legalidade” (sic). Promete enviar ao JN uma lista dos “legais, e pede que este não publicite notícias dos jogos e outras manifestações dos “excluídos”.
Entretanto este movimento vai esmorecendo (dividir para reinar ainda é infalível), e a Liga desaparece. É assim que o JN organiza em 1939/40 o Campeonato Popular. Dura até 1943 porque, mais uma vez, as “entidades oficiais” atrofiaram o Associativismo, pois tinham pavor aos “ajuntamentos”. Duraram assim quase mais 40 anos!
Entretanto o JN havia de repetir a iniciativa, agora em 1964/65, com o I Campeonato de Amadores.


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